segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Matéria sobre a Micro mundo do cineasta Fábio DeSilva

Micromundo(s)


Semana passada tive o prazer de conversar com os cineastas Buca Dantas e Mathieu Duvignaud. O potiguar Buca e o francês Mathieu estão totalmente imersos numa forma “prático-viável” e nova de produção audiovisual. O cinema processo!
Desde a criação do cinema em 1889 pelos irmãos Lumière, a “fotografia em movimento” sofreu várias transformações. Nasceu estático e mudo, ganhou as trucagens de Mèlliés, os planos e montagens de Griffith, ganhou voz, cor, cresceu com o naturalismo hollywoodiano e o experimentalismo russo, além de todas as vanguardas estéticas, a sétima arte sempre esteve em constante evolução.
E pasmem, no Rio Grande do Norte, mesmo sem tradição cinematográfica, não poderia ser diferente. Existe um movimento de cinema, o cine processo, que nasceu em 2004, pela necessidade dos potiguares Geraldo Cavalcanti e Buca Dantas fazerem cinema com o mínimo necessário disponível, é possível afirmar que o cinema processual nasceu da vontade de se produzir. Segundo Buca, esse cinema é totalmente antagônico e pode ser feito tanto com um milhão quanto com um real, o resultado será o mesmo, o que vai mudar são as condições estruturais e financeiras dos realizadores. "Surge a ideia do filme, surgem as necessidades e nós vamos buscar os parceiros que possam supri-las. Aí é que está a diferença, pois fazemos isso com as filmagens já em andamento. Não podemos prescindir do dinheiro, mas podemos minimizar ao máximo a sua ingerência na decisão de se realizar um filme, o que não significa fazer de qualquer jeito", complementa o cineasta.
Assim foi feito o filme Viva o Cinema Brasileiro (2006), ícone dessa linha, foi realizado com a colaboração de toda a equipe, leia-se, propriedade e investimento pessoal de todos, cabendo a eles os ônus e bônus.
O cinema de Buca como ele mesmo define é o cinema das possibilidades, é trabalhado com o que se tem disponível e é um jogo em que os realizadores sabem perfeitamente manusear todas as suas peças.
Eu também fiquei confuso, mas explico: é o seguinte, a equipe chega em uma comunidade, senta, observa, conversa (intervêm o mínimo possível), forma as equipes e produz em uma manhã, grava durante à tarde e à noite”... ufa! Sacaram? É mais ou menos por aí, só que ao contrário do que parece é um método muito organizado na sua total desorganização, o caos nesse caso, é característico do movimento e funciona perfeitamente na sua realização e o objetivo principal de todo o processo é tornar visível as estórias invisíveis.
A base para esse cinema é o Micromundo, o ponto de cultura aprovado pelo Ministério da Cultura que realiza os filmes do cinema processo e os microdocs.
Já os microdocs são uma forma fantástica de se produzir documentários em média com dois minutos de duração e vieram da pesquisa fotográfica de Mathieu “ A arte do acaso”, que mostra elementos esquecidos urbanos, por exemplo: a junção do reflexo de uma vitrine e o que está por trás dela, um cartaz rasgado e o muro que aparece, tudo isso sem a menor intervenção humana, é mostrado o que se vê, assim é a série microdocs. A matéria prima desses documentários é a realidade que deve ser a mais bruta possível e com liberdade total, isto é, não se sabe exatamente o que vai captar, só se sabe que alguma coisa será gravada. Isso reflete o espírito libertário e podemos dizer revolucionários na arte de produção audiovisual do cinema processo inserido nos microdocs. A base para esse produto artístico é a sensibilité, como cita Duvignaud, conterrâneo dos Lumières.
Os autores falam muito sobre a realidade pura e simples, segundo Carlos Saura, diretor argentino radicado na Espanha, a realidade é transmutada a partir do momento em que uma câmera é ligada, pois as pessoas mudam totalmente ou parcialmente o seu comportamento.
Esse problema é reconhecido pelos autores processuais, o que os fazem acreditar em uma semi-realidade e procuram minimizar essa intervenção exatamente com uma não intervenção. Eles chegam nos locais com pequenos equipamentos e se inserem na comunidade, fazem com que as câmeras façam parte do ambiente, propõem o que vão fazer e pedem a colaboração da população na solução dos problemas. A partir daí, é só ligar as câmeras e deixar rolar.
Com o cinema processo uma nova possibilidade de se produzir cinema no Rio Grande do Norte é apresentada, e é bem real.
Para se entender melhor sobre esse modelo de produção audiovisual franco-brasileira é só navegar: www.microdocbrazil.blogspot.com www.ongmicromundo.blogspot.com
Bon voyage !!!


Micromundo (s)
Last week I had the pleasure to talk with cineastas Buca Dantas and Mathieu Duvignaud. Potiguar Buca and the Mathieu Frenchman is total immersed in a practical-viable” and new form “of audiovisual production. The cinema process! Since the creation of the cinema in 1889 for the Lumière brothers, the “photograph in movement” suffered some transformations. It was born static and dumb, it gained the trucagens of Mèlliés, the plans and assemblies of Griffith, it gained voice, color, it grew with the hollywoodiano naturalismo and the Russian experimentalismo, beyond all the aesthetic vanguards, the seventh art always was in constant evolution. E astonishhes, in the Rio Grande of the North, exactly without cinematographic tradition, could not be different. A cinema movement, cine exists process, that was born in 2004, for the necessity of potiguares Geraldo Cavalcanti and Buca Dantas to make cinema with the available necessary minimum, is possible to affirm that the procedural cinema was born of the will of if producing. According to Buca, this cinema is total antagonistic and can in such a way be made with a million how much with a Real, the result will be the same, what it goes to move are the structural and financial conditions of the producers. " The idea appears of the film, appears the necessities and us we go to search the partners that can supriz them. There it is that it is the difference, therefore we make this with the filmings already in progress. We cannot do without the money, but we can minimize to the maximum its mediation in the decision of if carrying through a film, what it does not mean to make " at any cost; , it complements cineasta. Thus the Brazilian Cinema was made the Alive film (2006), icon of this line, was carried through with the contribution of all the team, is read, property and personal investment of all, fitting they them responsibility and bond. The cinema of Buca as he himself defines is the cinema of the possibilities, is worked with what if it has available and is a game where the producers perfectly know to handle all its parts. I also was confused, but I explain: it is the following one, the team it arrives in a community, it seats, it observes, colloquy (they intervine the possible minimum), it forms the teams and it produces in one morning, it at night records during a late and”… ufa! They had drawn? It is more or less for there, only that in contrast of what seems is a method very organized in its total disorganization, the chaos in this in case that, he is characteristic of the movement and it functions perfectly in its accomplishment and the main objective of all the process is to become visible the invisible estórias. The base for this cinema is Micromundo, the point of culture approved for the Ministry of the Culture that carries through the films of the cinema process and microdocs. Already microdocs is a fantastic form of if producing sets of documents with two minutes of duration and had on average come of the photographic research of Mathieu “the art of perhaps”, that it shows forgotten elements urban, for example: the junction of the consequence of a show window and what it is for backwards of it, a torn poster and the wall who appears, everything this without the lesser intervention human being, is shown what it is seen, thus is the series microdocs. The substance cousin of these sets of documents is the reality that must be rudeest possible and with total freedom, that is, is not known accurately what it goes to catch, only knows that some thing will be recorded. This reflects the spirit libertarian and can say revolutionaries in the art of audiovisual production of the cinema inserted process in microdocs. The base for this artistic product is sensibilité, as Duvignaud cites, countryman of the Lumières. The authors speak very on the pure and simple reality, according to Carlos Saura, consolidated Argentine director in Spain, the reality are transmutada from the moment where a camera is on, therefore the people change total or partially its behavior. This problem is recognized for the procedural authors, they make what them to believe a half-reality and they look for to accurately minimize this intervention with not an intervention. They arrive in the places with small equipment and if they insert in the community, they make with that the cameras are part of the environment, they consider what they go to make and they ask for the contribution of the population in the solution of the problems. From then on, it is alone to bind the cameras and to leave to roll. With the cinema process a new possibility of if producing cinema in the Rio Grande of the North are presented, and are real estate. To better understand on this model of audiovisual production Franc-Brazilian it is alone to sail: www.microdocbrazil.blogspot.com www.ongmicromundo.blogspot.com Bon voyage!

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